noticias ao minuto -26/07/2026 10:06
O governo dos Estados Unidos planeja enviar a Brasília dois
altos funcionários do Departamento de Estado nas próximas semanas, em uma
missão que, segundo o The Washington Post, pretende lançar suspeitas sobre
a integridade e a transparência do sistema eleitoral brasileiro, a poucas
semanas do pleito presidencial marcado para 4 de outubro.
A delegação seria composta por Riley M. Barnes,
secretário-assistente, e Samuel Samson, subsecretário-assistente, ambos
nomeados por Trump, segundo relataram fontes americanas e brasileiras ao
jornal.
Nos bastidores, a iniciativa provocou reação de diplomatas
brasileiros, que classificaram a visita como ingerência e disseram avaliar
medidas para impedir que os enviados avancem com reuniões e ações relacionadas
ao processo eleitoral. "É uma manobra totalmente incompatível com a
democracia brasileira", afirmou um diplomata ao Washington Post, sob
anonimato.
De acordo com o jornal, a suspeita é de que Barnes e Samson
busquem interlocução com críticos das urnas eletrônicas para produzir
relatórios que possam ser usados para deslegitimar o sistema de votação. O
Departamento de Estado confirmou a viagem, mas não detalhou o objetivo. Entre
funcionários ouvidos pelo Post, houve críticas à estratégia. "É
extremamente nocivo ver este secretário usar o poder americano para minar
eleições confiáveis em outras nações por motivos ideológicos", disse um
integrante do órgão, também sob condição de anonimato.
A movimentação ocorre em meio a um ambiente de atritos
bilaterais, que inclui disputas sobre liberdade de expressão, medidas
comerciais e o processo judicial envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro,
além de ser interpretada, segundo o Post, como parte de uma postura mais ampla
do governo Trump de apoio a agendas conservadoras na América Latina.
No plano doméstico, o tema das urnas voltou ao debate após
Flávio Bolsonaro defender a ampliação de observadores internacionais e repetir
alegações associando, sem qualquer prova, o sistema brasileiro à empresa
Smartmatic, tese já refutada reiteradamente pelo TSE.