CNN -09/07/2026 21:33
Um projeto de lei apresentado na última quarta-feira (8) pelo deputado federal Luiz Carlos Hauly (Podemos-RS) propõe que apenas jogadores de futebol brasileiros que atuem no Brasil possam ser convocados para competir pela Seleção.
Segundo o PL 3.582 de 2026, todos os integrantes da comissão
técnica - bem como o técnico principal da Seleção - também deverão
atuar por clubes brasileiros em seus registros profissionais para estarem aptos
a participar de competições internacionais, salvo amistosos e jogos
promocionais, mediante acerto com o órgão que realiza o evento.
Para o autor do texto, o objetivo da proposta é fortalecer o
desenvolvimento do futebol nacional, motivado pelo fracasso do time convocado
para a Copa do Mundo da Fifa de 2026.
O Brasil foi eliminado da competição pela Noruega no
último domingo (5) pelo placar de 2x1. O time do técnico Carlo Ancelotti - nascido
na Itália e o primeiro estrangeiro a comandar a Seleção brasileira - tinha
apenas 7 dos 26 convocados atuantes no país e conseguiu o pior desempenho do
Brasil em uma Copa do Mundo desde1990, quando fomos eliminados nas oitavas de
final.
A determinação do projeto também abrange as categorias de
base da Seleção Brasileira e o futebol feminino: "Precisamos de um futebol
feito por jogadores brasileiros que joguem em equipe brasileira, com técnico
brasileiro", disse Hauly em plenário.
Proibição de bets
O projeto de lei também aborda a proibição de entidades
nacionais, regionais e locais de realizar propaganda de casas de apostas nos
produtos, times e competições organizadas em território nacional.
Em janeiro deste ano, com o início do Campeonato Brasileiro
de 2026, 12 dos 20 times da Série A tinham contratos firmados com casas de
apostas. Os naming rights do Campeonato Brasileiro e da Copa do
Brasil -- principais competições nacionais -- também têm participação das
chamadas bets.
Hoje, a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) não
é proibida expressamente de ter relação com bets, mas está submetida ao
RGC (Regulamento Geral de Competições), que condiciona a exibição de publicidade
de operadoras de apostas - inclusive nos uniformes - ao cumprimento da Lei nº
14.790/2023 (Lei das Apostas) e das regras da Secretaria de Prêmios e Apostas
do Ministério da Fazenda. Apenas bets licenciadas podem ter tal vínculo.
O projeto, no entanto, não se debruça sobre o patrocínio de
casas de apostas a atletas da Seleção, por se tratarem de acordos pessoais dos
jogadores. Ainda há espaço para que emendas ao texto original possam incluir
esse segmento à lei, se aprovada.
Apresentada na quarta-feira, a medida aguarda despacho da
Mesa Diretora da Câmara dos Deputados e ainda pode passar por comissões
temáticas. Caso o texto seja aprovado pelo plenário, ele então segue para
análise do Senado Federal e, depois, sanção presidencial.