noticias ao minuto -17/07/2026 09:47
A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes
(Abiec) alertou que o setor pode não conseguir cumprir, dentro do prazo, as
novas exigências da União Europeia relacionadas ao uso de antimicrobianos na
produção animal.
Segundo o presidente da entidade, Roberto Perosa, a
adequação às regras sanitárias europeias levaria cerca de 30 meses. Com isso,
existe o risco de o Brasil perder temporariamente o acesso ao mercado do bloco
a partir de setembro.
“Há uma grande possibilidade de a gente não conseguir vender
mais para a União Europeia a partir de setembro e ter um período de adaptação”,
afirmou Perosa durante entrevista coletiva.
Em maio, a União Europeia retirou o Brasil da relação de
países autorizados a exportar produtos de origem animal destinados ao consumo
humano. A decisão entrará em vigor em 3 de setembro de 2026.
A Comissão Europeia justificou a medida alegando que o
Brasil não atende às exigências sobre o controle do uso de antimicrobianos
durante todo o ciclo de vida dos animais destinados à exportação.
Embora represente apenas entre 5% e 6% da receita obtida
pelo Brasil com as exportações de carne bovina, o mercado europeu é considerado
estratégico pelo setor.
De acordo com Perosa, os países do bloco compram cortes
específicos e de maior valor agregado, além de exercerem influência sobre os
preços praticados no mercado brasileiro e sobre a imagem da carne nacional no
exterior.
“É um mercado pequeno em volume, mas com muito valor
agregado e que compra cortes únicos. Além disso, é importante na formação de
preços no mercado interno e na reputação internacional da proteína brasileira”,
declarou.
A Abiec também teme que outros países adotem restrições
semelhantes às impostas pela União Europeia. Caso isso aconteça, os prejuízos
para as exportações brasileiras poderão ser ainda maiores.
Na semana passada, documentos oficiais obtidos pela agência
Lusa mostraram que o governo brasileiro atribuiu parte da responsabilidade pela
exclusão do país da lista europeia às empresas do setor.
Em resposta encaminhada ao Congresso Nacional, o Ministério
da Agricultura e Pecuária afirmou que a adaptação às novas regras dependia, em
grande parte, da atuação das companhias brasileiras.
Segundo o ministério, ao longo de três anos foram enviados
ofícios, realizadas reuniões técnicas e feitas diversas solicitações para que
as entidades apresentassem propostas capazes de atender às exigências da
Comissão Europeia.
Os documentos também apontam que autoridades europeias
criticaram a falta recorrente de informações completas enviadas pelo Brasil
entre 2023 e 2026.
Questionado sobre a posição do governo, Roberto Perosa
evitou discutir a divisão de responsabilidades.
“O momento é de olhar para a frente”, respondeu.
Além do impasse com a União Europeia, o setor de carne
bovina enfrenta dificuldades no mercado chinês, principal destino do produto
brasileiro.
Em 2025, o Brasil vendeu cerca de 1,7 milhão de toneladas de
carne bovina para a China. No entanto, uma nova cota estabelecida por Pequim
limitou os embarques a 1,106 milhão de toneladas. O volume autorizado já foi
totalmente utilizado neste mês.
Com o esgotamento da cota, a tarifa de importação cobrada
sobre a carne brasileira sobe de aproximadamente 12% para 67%, devido à
aplicação de uma sobretaxa de 55%.
Segundo Perosa, a redução dos embarques para a China levou o
setor a revisar para baixo as projeções das exportações. O dirigente afirmou
ainda que muitas empresas já operam com resultados negativos.
As restrições no exterior também poderão afetar os preços da
carne no Brasil. A expectativa é de uma queda inicial, provocada pelo aumento
da oferta no mercado interno. A partir de setembro, porém, os valores podem
voltar a subir, diante da previsão de redução no abate de bovinos.
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