METROPOLES -05/02/2026 17:37
Uma sociedade cada vez mais conectada e com mais demanda por energia. Pensando no perfil do novo consumidor e de olho no futuro sustentável do setor elétrico, as regras dos contratos de distribuição de energia foram modernizadas a fim de garantir um serviço mais alinhado às necessidades da população e do Brasil.
Até 2031, 19 contratos de concessão de distribuição de
energia elétrica passarão pelo processo de renovação. Dois deles já foram
concluídos: o da EDP, no Espírito Santo, e o da Neoenergia, em Pernambuco.
O novo modelo foi desenhado pelo Ministério de Minas e
Energia, responsável pelas concessões, com o objetivo de transformar esse
momento em uma oportunidade para aprimorar ainda mais o serviço ao consumidor,
modernizar a rede elétrica e ampliar os investimentos em todo o Brasil, em
consonância com o volume de aportes que as distribuidoras têm feito nos últimos
anos.
“O consumidor passa a ser o centro desse processo. A
renovação dos contratos passa a estar vinculada a resultados concretos”, afirma
o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira.
“Estamos promovendo mudanças estruturais para garantir mais
investimentos, mais firmeza com as distribuidoras, mais qualidade e segurança
no fornecimento de energia elétrica”, completa.
Investimentos para enfrentar eventos climáticos extremos
Na prática, o novo modelo impõe obrigações mais duras às
distribuidoras. As empresas precisarão comprovar que conseguem manter a
continuidade do fornecimento, responder mais rápido às eventuais falhas e
operar com equilíbrio financeiro. Quem não cumprir as metas poderá ficar
de fora da renovação.
A medida ganha ainda mais relevância no país que é cada vez
mais impactado por eventos climáticos extremos, como tempestades fortes, ondas
de calor e ventos intensos, colocando pressão sobre o sistema elétrico. As
novas regras impõem mais investimentos nas redes e mais agilidade na
recomposição do serviço, exigências que estão em linha com os aportes feitos
pelas empresas nos últimos anos.
“O Brasil mudou, o consumo de energia mudou e o sistema
precisa acompanhar essa realidade”, ressalta o ministro. “Nosso objetivo é
garantir que a população tenha um serviço mais confiável, mesmo diante de
situações climáticas cada vez mais desafiadoras.”
As mudanças regulatórias já começam a refletir-se nos
investimentos. No início da década, as distribuidoras investiam cerca de
R$ 18 bilhões por ano. Esse número cresceu de forma expressiva e, em 2025, já
supera R$ 46 bilhões.
A expectativa do setor é que, entre 2025 e 2029, os
investimentos ultrapassem R$ 235 bilhões. Esse dinheiro será aplicado
principalmente na modernização das redes, com mais tecnologia, automação,
digitalização e reforço da infraestrutura, inclusive em áreas rurais e regiões
mais afastadas dos grandes centros.
“Esse volume de investimento é essencial para garantir um
serviço à altura da dependência que a sociedade tem hoje da energia elétrica”,
pondera Marcos Madureira, presidente da Associação Brasileira de Distribuidores
de Energia Elétrica. “Estamos falando de redes mais modernas, capazes de
responder melhor às demandas do dia a dia e aos desafios do futuro.”
Conta de luz mais barata
Além da melhoria do serviço, o novo ciclo do setor elétrico
vem acompanhado de políticas públicas voltadas à proteção das famílias de baixa
renda. Programas como o Luz do Povo e a ampliação da Tarifa Social de Energia
Elétrica reforçam o compromisso do governo com a inclusão energética.
Atualmente, milhões de famílias podem ter desconto de até
100% na conta de luz, dependendo do consumo mensal. Outras faixas de renda
passaram a contar com isenção de encargos, reduzindo o peso da energia no
orçamento doméstico.
“A energia elétrica é um serviço essencial e um direito
básico. Nosso compromisso é garantir acesso com qualidade e a um custo justo
para quem mais precisa”, frisa o ministro.