metropoles -16/07/2026 08:44
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, no início da madrugada desta quinta-feira (16/7), que vai acionar os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade após os Estados Unidos decidirem por uma tarifa de 25% sobre os produtos brasileiros.
A legislação autoriza o Brasil a retaliar ou aplicar
sobretaxas equivalentes contra países que imponham barreiras comerciais
unilaterais aos produtos brasileiros.
Em nota, o governo federal também lamentou a decisão
dos EUA e disse que o episódio ficará marcado na história das relações entre os
dois países.
“O dia 15 de julho de 2026 passará para a história das
relações entre Brasil e EUA como um marco lastimável. O governo brasileiro
repudia a decisão anunciada hoje pelo governo dos EUA relativa à imposição de
tarifas de 25% sobre produtos brasileiros”, diz a nota.
No texto, o Brasil também afirma que não reconhece a
legitimidade de investigações sem amparo nas regras multilaterais de comércio.
A decisão de taxar o Brasil ocorre após o fim de uma investigação feita pelo
Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que acusa o
Brasil de “práticas desleais” que prejudicam empresas e exportadores
norte-americanos.
O Brasil afirma que ao longo do ano atuou junto ao
escritório para mostrar evidências que refutam cada uma das alegações dos
norte-americanos. “Não há justificativa para medidas unilaterais contra o nosso
país. Segundo estatísticas do próprio governo norte-americano, os EUA
acumularam nos últimos 15 anos US$ 424,5 bilhões em superávit de bens e
serviços com o Brasil”, alega.
Segundo o governo, nas audiências públicas promovidas pelo
governo, 63 das 78 intervenções feitas por representantes do setor privado
brasileiro e norte-americano foram contrárias ao tarifaço.
Lula acusa família Bolsonaro
Na declaração, o governo Lula também atribui o tarifaço
à família Bolsonaro. “É triste constatar que o lamentável desfecho das
investigações baseadas na Seção 301 faz parte do enredo construído com a ativa
colaboração da família Bolsonaro. São falsos patriotas que arquitetaram e
defenderam publicamente ações contra o nosso país, movidos por objetivos
eleitoreiros”, acusou em nota, emitida pela Secretaria de Comunicação Social da
Presidência.
EUA diz que Brasil não negociou de boa-fé
Nesta quinta-feira (16/7), o
secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou que o governo
Lula não negociou de “boa-fé” com os norte-americanos sobre a
aplicação das tarifas pelo país aos produtos brasileiros.
“Hoje, o Presidente Trump determinou que o USTR imponha uma
tarifa de 25% sobre a maioria das importações brasileiras. Não haja confusão
sobre o motivo: o Presidente Lula e seu governo não negociaram com os EUA de
boa-fé”, disse.