metropoles -07/06/2026 13:32
A decisão da União Europeia (UE) de retirar o Brasil da lista de países autorizados
a exportar determinados produtos de origem animal para o bloco transformou o
país no único integrante do Mercosul afetado pelas novas restrições sanitárias
europeias.
Enquanto o Brasil foi excluído da relação de países
habilitados, Argentina, Paraguai e Uruguai permanecem autorizados a vender
produtos de origem animal aos 27 membros da União Europeia, segundo regulamento
publicado pela Comissão Europeia na última sexta-feira (5/6).
A medida pode atingir um dos mercados mais importantes para
o agronegócio brasileiro.
O valor coloca o bloco europeu como o segundo principal
destino das exportações brasileiras de carnes em receita, atrás apenas da
China.
A exclusão brasileira chamou a atenção de autoridades e
representantes do setor porque ocorre em um momento de aproximação comercial
entre os dois blocos econômicos. A decisão foi anunciada poucos meses após o
início da aplicação provisória do acordo entre Mercosul e União Europeia.
Apesar disso, a Comissão Europeia sustenta que a medida não
está relacionada ao tratado comercial, mas exclusivamente ao cumprimento de
exigências sanitárias.
Por que só o Brasil ficou fora
Segundo o regulamento europeu, o Brasil não apresentou
informações consideradas suficientes para comprovar que conseguirá cumprir
integralmente as regras do bloco sobre o uso de determinados antimicrobianos na
produção animal até setembro de 2026.
A legislação europeia proíbe a importação de produtos de
origem animal oriundos de sistemas produtivos que utilizem determinados
antimicrobianos para promover crescimento ou aumentar a produtividade dos
animais.
Por esse motivo, o país foi retirado da lista de nações
autorizadas a exportar para a União Europeia produtos das categorias de
bovinos, aves, equídeos, aquicultura, mel e tripas.
Caso a restrição entre efetivamente em vigor, o impacto
poderá ser significativo para o setor exportador brasileiro.
Os números de 2025 mostram a dimensão desse mercado:
Somadas, as vendas de carnes ao bloco europeu alcançaram
aproximadamente US$ 1,8 bilhão no ano passado.
Segundo essa versão, não houve pedidos posteriores de
complementação nem alertas de que as informações enviadas seriam consideradas
insuficientes.
Apesar da oficialização da medida, o veto ainda não entrou
em vigor. O regulamento europeu passará a produzir efeitos apenas em 3 de
setembro de 2026.