metropoles -30/04/2026 14:50
Apesar do discurso do governo e do próprio Jorge Messias de que é preciso aceitar a derrota, aliados do ministro da AGU e de Lula estudam acionar o STF após a votação do Senado que rejeitou a indicação do presidente.
A estratégia é defendida pelo advogado Marco Aurélio de
Carvalho, coordenador do Prerrogativas, grupo de juristas antilavajatistas e
progressistas. O advogado é amigo pessoal tanto de Messias quanto de Lula.
Em conversa com a coluna nesta quinta-feira (30/4), Carvalho
disse estar reunindo um grupo de juristas e dirigentes partidários para
“avaliar a conduta” do presidente do Senado, Davi
Alcolumbre (União-AP), na votação.
Na avaliação de Marco Aurélio, pode ter havido um
“desvio de finalidade” do atual chefe do Senado na condução do processo de
análise da indicação do nome de Messias para uma vaga de ministro do Supremo.
“Estamos reunindo um grupo de juristas para avaliar a
conduta do Alcolumbre. Ele funciona como uma espécie de juiz. (…) Ele não deu
ao sabatinado condições que pudesse enfrentar a sabatina. Há um desvio de
finalidade dele na condução do processo”, disse o advogado.
Para advogado, Lula deveria insistir em Messias
Marco Aurélio afirma que esse grupo de juristas vai estudar
uma reação e levará sugestões para Lula decidir se aciona ou não o Supremo
contra a votação. Para o advogado, o presidente deveria insistir na
indicação de Messias.
“O Senado tem o direito de rejeitar quem quer que seja. O
que não dá é para reverter papéis e tentar capturar a importante prerrogativa
do presidente da República de indicar ministro do Supremo. Eles já capturaram a
excecução orçamentária, a indicação para as agências reguladoras…”, afirmou.
O coordenador do Prerrogativas pondera que a ideia ao
acionar o STF não seria obrigar o Senado a aceitar as indicações ao tribunal,
mas, sim, entender quais são os limites de cada Poder nesse processo.
“Ninguém pretende obrigar o Senado a indicar quem quer que
seja. O Senado tem direito de analisar. Queremos entender quais são os limites
de um Poder e de outro”, afirmou Carvalho.
Para o advogado, a função do Senado nesse processo deveria
ser apenas aferir se o indicado pelo presidente da República ao STF cumpre os
requisitos constitucionais de notável saber jurídico e conduta ilibada.
“Uma vez preenchidos, a competência é vinculada. O Senado
tinha obrigação de confirmar a indicação”, avaliou.
O placar de Messias no Senado
Messias teve sua indicação ao STF rejeitada na noite da
terça-feira (29/4) por 42 votos a 34. A votação foi histórica, pois, desde
1894, durante o governo Floriano Peixoto, o Senado não rejeitava um indicado ao
Supremo.
Nos bastidores, integrantes do governo atribuem a derrota a
Alcolumbre e até a ministros do STF, que defendiam outros nomes para a Corte.
Entre eles, Alexandre de Moraes e Flávio Dino.