noticias ao minuto -26/04/2026 09:20
Um novo tipo de vírus bancário voltado para dispositivos Android tem como alvo usuários brasileiros e utiliza o sistema Pix para desviar dinheiro de forma quase imediata. De acordo com um relatório da Zimperium, o malware, chamado PixRevolution, é capaz de interferir em transferências no exato momento em que elas estão sendo realizadas.
Segundo a Zimperium, o PixRevolution integra uma nova
geração de trojans financeiros criados especificamente para explorar o Pix no
Brasil. Classificado como um “agent-operated Android trojan”, esse tipo de
malware permite que um operador acompanhe e interaja com o dispositivo da
vítima em tempo real. A campanha tem como alvo aplicativos de instituições
financeiras populares, como Nubank, Itaú Unibanco, Banco do Brasil, Caixa
Econômica Federal, Santander Brasil, PicPay, PagSeguro, Sicredi e XP
Investimentos.
O ataque combina espionagem com controle ativo do aparelho.
Utilizando permissões de acessibilidade do Android, o vírus consegue ler
conteúdos exibidos na tela, monitorar interações e até executar comandos
automaticamente. Entre as técnicas empregadas estão sobreposição de tela,
captura de credenciais, interceptação de notificações e automação dentro dos
aplicativos bancários.
A infecção geralmente começa com aplicativos falsos que
imitam serviços conhecidos, como Expedia, Correios ou até instituições
oficiais, além de outros nomes usados como isca. Esses apps enganam o usuário e
facilitam a instalação do malware. Na prática, o vírus não apenas observa, mas
também executa ações, podendo preencher dados e confirmar transações sem que a
vítima perceba.
Fernando Serto, Field CTO na Akamai, explica esse
comportamento: “malwares financeiros são projetados para monitorar o
comportamento do usuário e só são ativados quando identificam uma ação
sensível, como a abertura de um aplicativo bancário ou até mesmo durante o
início de uma transação via Pix.”
Um dos aspectos mais críticos é a atuação em tempo real. O
operador pode acompanhar a transação e interferir exatamente no momento da
confirmação, alterando dados ou redirecionando valores. “Como o Pix é um método
de pagamento instantâneo, o ataque acontece dentro de um tempo muito curto,
reduzindo as chances de reversão”, afirma Serto. Ele acrescenta: “Os ataques
partem do dispositivo da própria vítima e utilizam credenciais válidas, dentro
de um fluxo esperado, reduzindo os sinais de anomalias”.
Apesar da sofisticação, a infecção ainda depende, em grande
parte, da ação do usuário, geralmente por meio de engenharia social. “Hoje já é
possível uma combinação dos dois modelos, mas a infecção inicial ainda depende
muito de engenharia social", reforça o especialista.
A dificuldade de detecção está ligada ao fato de que o golpe
ocorre durante ações legítimas. “Por exemplo, o comportamento do usuário hoje
está cada vez mais orientado por velocidade e fluidez, que inclusive a nossa
pesquisa mostra que são os principais fatores na escolha de um banco. E os
ataques se aproveitam justamente dessa dinâmica”, explica.
Mesmo assim, sinais como lentidão, apps desconhecidos,
pedidos incomuns de permissões e movimentações financeiras suspeitas podem
indicar infecção. Para se proteger, recomenda-se evitar aplicativos fora de
lojas oficiais, desconfiar de links e revisar permissões, especialmente as de
acessibilidade. Também é essencial manter o celular atualizado e redobrar a
atenção durante transações via Pix.