hernandes dias lopes -22/03/2026 13:09
Jó não é uma lenda. Ele não é uma figura mítica. Ele existiu
num lugar definido, num tempo definido e se relacionou com pessoas definidas.
Ele foi o homem mais rico do Oriente em sua geração e, também, o homem mais
piedoso de sua época. Foi um homem íntegro, reto, temente a Deus e que se
desviou do mal.
Era um homem abençoado fora dos portões. Jó foi um homem
generoso. Ele foi o amparo das viúvas, os olhos dos cegos e as pernas dos
aleijados. Jó, de igual modo, foi um homem abençoado no reduto do lar. Teve dez
filhos e os manteve unidos e protegidos por suas orações e conselhos.
A vida piedosa de Jó era conhecida no céu, testificada na
terra e odiada no inferno. Satanás acusou a Deus de suborná-lo com bênçãos para
receber dele adoração e insinuou que Jó só adorava a Deus por interesse. Jó,
entrementes, provou que amava mais a Deus do que a riqueza, do que a família e
do que a si mesmo.
Com a permissão divina, Jó foi entregue nas mãos de Satanás
para ser duramente provado. O patriarca de Uz perdeu seus bens, enterrou seus
filhos, perdeu sua saúde, foi acicatado pelas palavras dura de sua mulher e
acusado pelos seus amigos.
O homem mais rico vai à falência, enfrentando um colapso
financeiro. O pai mais comprometido em orar pelos filhos, sofre o duro golpe de
vê-los todos mortos no mesmo acidente. O homem cheio de vida é acometido de uma
doença maligna, que deixa seu corpo encarquilhado e macérrimo. Como marido,
ouve sua mulher se insurgindo contra Deus e aconselhando-o a amaldiçoar a Deus
e morrer.
Seus amigos, vieram de longe para consolá-lo e tornaram-se
consoladores molestos. Jó sofreu duros golpes na vida financeira, na morte dos
filhos, na perda da saúde, na incompreensão da esposa e na acusação leviana dos
amigos. Esse homem no fragor da tempestade, assolado pela dor mais avassaladora
levanta aos céus dezesseis vezes a pergunta: “Por que, meu Deus?”. Trinta e
quatros vezes ele se queixa contra Deus.
Como resposta, ele só escuta o ensurdecedor silêncio de
Deus. Nenhuma palavra. Nenhuma explicação. Nenhuma luz no fim do túnel. Jó está
nas profundezas abissais da sua dor. Porém, mesmo perdendo tudo, não perdeu sua
fé. Ele clamou: “Uma coisa eu sei, é que o meu Redentor vive”. Ele sabia que
Deus inspira canções de louvor nas noites escuras.
Deus rompeu o silêncio, não para dar resposta às perguntas
de Jó, mas para fazer a ele setenta perguntas retóricas, desfraldando diante
dele o lábaro de sua gloriosa majestade. O Senhor lhe perguntou: “Onde estavas
tu, quando eu lançava os fundamentos da terra [...], quando espalhava as
estrelas no firmamento [...], quando cercava as águas do mar?”. Jó foi se
encolhendo diante de grandeza incomparável de Deus e afirmou: “Agora eu sei que
tudo podes e nenhum dos teus planos pode ser frustrado”. Ele confessou: “Eu te
conhecia só de ouvir, mas agora meus olhos te veem e me abomino no pó na
cinza”.
Renovado em seu entendimento, passou Jó a orar pelos seus
amigos em vez de se defender de suas calúnias. Deus, então, restaurou a sua
sorte e devolveu-lhe em dobro tudo quanto antes possuíra. Deus restaurou sua
saúde e ele ainda viveu cento e quarenta anos. Deus restaurou suas finanças e
ele duplicou seus haveres. Deus restituiu suas amizades e os homens que o
acusaram tiveram que vir a ele, e mudar de ideia a seu respeito. Deus restaurou
seu casamento, dando-lhe mais dez filhos. Agora, Jó tem dez filhos no céu e dez
filhos na terra. Deus restaurou tudo, completamente. Deus provou Jó para
aprová-lo.
A intenção de Satanás era colocar Jó longe de Deus. O que
ele conseguiu, porém, foi colocar Jó mais perto de Deus e, isso, porque os
planos de Deus não podem ser frustrados.