cnn -15/06/2026 22:15
No segundo semestre de 2026, o Brasil deve enfrentar a formação de um fenômeno que especialistas chamam de "super El Niño". De acordo com informações divulgadas, o evento pode causar impactos no clima do planeta que podem durar até o ano de 2027.
Para Claudio de Brito Neri, professor de Geografia do
Colégio Presbiteriano Mackenzie Tamboré, apesar do fenômeno parecer distante do
dia a dia, ele impacta a vida de milhões de brasileiros.
"Isso fica claro quando analisamos períodos anteriores,
em que suas consequências foram desde problemas na produção de alimentos até
crises no abastecimento de água e enchentes", disse.
Diante da situação, órgãos como o Centro de Previsão de
Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC), o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais
(INPE) e o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) buscam
alertar governos, agricultores e a população em geral para os possíveis
impactos desse fenômeno.
Conforme nota técnica emitida em conjunto pelo CPTEC, INPE e
INMET, os efeitos do El Niño poderão ser sentidos de formas distintas nas
regiões brasileiras. Confira abaixo:
Regiões afetadas
Na região Norte, a expectativa é de seca e redução no volume
de chuvas, o que faz com que os rios baixem de nível, dificultando o transporte
de pessoas e mercadorias. As comunidades ribeirinhas são as primeiras a sofrer
com a dificuldade de acesso a alimentos, medicamentos e atendimento médico.
Outro fator preocupante é que o clima mais quente e seco aumenta a
incidência de queimadas e incêndios florestais.
No Nordeste, a consequência é a redução das chuvas e a
escassez de água. Com menos precipitações, os reservatórios recebem menor
volume hídrico, o que afeta o abastecimento e a produção agrícola. A maior
intensidade do calor também aumenta o risco de incêndios em áreas de vegetação.
No Centro-Oeste, os efeitos tendem a ser menos intensos,
porém o aumento da temperatura também reduz a umidade do ar, cenário que
favorece queimadas. Algumas áreas podem, no entanto, registrar chuvas
dentro da média, elevando a umidade do solo.
A região Sudeste apresenta histórico mais variável: há
locais com chuvas intensas e outros com períodos prolongados de estiagem e
predominância de calor, fenômeno conhecido como “veranico”. Capitais como São
Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Vitória podem registrar ondas de calor
mais intensas que o normal, o que aumenta o consumo de energia elétrica.
A região tradicionalmente mais afetada no Brasil é o Sul,
onde o principal efeito é o excesso de chuva, com enchentes, alagamentos e
deslizamentos de terra. Os três estados (PR, SC, RS) costumam enfrentar
temporais mais frequentes e chuvas acima da média.
O professor reforça o fato de que os efeitos desse fenômeno
podem acabar aumentando o preço da conta de luz, encarecendo os alimentos e
reduzindo a disponibilidade de água. Em períodos de seca prolongada, a produção agrícola pode recuar, enquanto chuvas excessivas
podem afetar estradas, moradias e plantações.
El Niño
Segundo o estudo, o El Niño acontece quando há um
aquecimento acima do normal das águas do Oceano Pacífico, o que altera a
circulação dos ventos e a formação das chuvas. Todo esse processo afeta o
planeta, mas, no caso do Brasil, há uma variação de impactos entre as
diferentes regiões do país, que vão desde excesso de chuva e alagamentos até
secas intensas e falta de água nos reservatórios.
Normalmente, os ventos no Pacífico sopram de leste para
oeste, ou seja, da América em direção à Oceania e à Indonésia. Isso faz com que
as águas mais quentes sejam deslocadas por essas correntes de ar, mantendo
as áreas próximas à América do Sul com águas mais frias.
O fenômeno altera o equilíbrio entre ventos, pressão e
umidade devido ao aumento da temperatura no Oceano Pacífico. Quando isso
acontece, há aumento na evaporação, os ventos ficam mais fracos e a água quente
que normalmente fica próxima à Oceania se espalha, aquecendo as águas próximas
à América do Sul, que são geralmente mais frias. Isso causa desequilíbrios
com consequências em escala global.