cnn -19/07/2026 15:56
O plantio de arroz da próxima safra ainda está distante, mas o mercado financeiro e os produtores não param de pensar nela. “O comportamento do El Niño permanece como a principal variável para definição da área cultivada, da produtividade e do calendário agrícola”, enumera o analista da Safras & Mercado, Evandro Oliveira.
“As estimativas continuam apontando para uma produção
brasileira próxima, ou até mesmo inferior, a 10 milhões de toneladas em base
casca, resultado da combinação entre provável redução de área e expectativa de
menor produtividade”, comenta.
Entretanto, essas projeções ainda dependerão da evolução das
condições climáticas ao longo dos próximos meses. “O ambiente de incerteza continua influenciando diretamente as
decisões de investimento”, frisa.
Muitos produtores seguem adiando a aquisição de insumos,
aguardando maior previsibilidade climática antes da consolidação do
planejamento da próxima temporada. “Nesse contexto, cresce a expectativa de
atrasos no calendário agrícola em diversas regiões, reforçando a importância do
escalonamento do plantio como estratégia para reduzir riscos operacionais”,
pondera.
Entre os principais fatores de sustentação do mercado,
destacam-se a recuperação gradual das cotações, a perspectiva de menor
disponibilidade exportável dos Estados Unidos, o fortalecimento dos fundamentos
internacionais e a confirmação de redução da área cultivada no Brasil.
Como contraponto, os elevados estoques mundiais continuam
exercendo importante papel moderador sobre a formação dos preços, reduzindo a
probabilidade de movimentos abruptos de valorização.
Na semana passada, a média da saca de 50 quilos de arroz no Rio Grande do Sul
(58/62% de grãos inteiros, pagamento à vista) ficou em R$ 62,83, alta de 3,38%
em relação à semana anterior. Na comparação com o mesmo período do mês passado,
o avanço foi de 8,27%, enquanto, em relação a 2025, a desvalorização atingiu
6,36%.
“No mercado físico, o Indicador Safras ultrapassou o patamar
de R$ 63 por saca, reforçando o movimento de fortalecimento observado desde o
encerramento da colheita”, destaca o analista.