metropoles -19/06/2026 15:53
Mercy e Goodness, irmãs siamesas do sudoeste da Nigéria, nasceram com os
crânios ligados e foram separadas por uma cirurgia inovadora nos Emirados
Árabes Unidos. Com duração de cerca de 40 horas, o procedimento foi
realizado por 12 médicos e funcionários do Hospital Great Ormond Street.
Cirurgias como a das nigerianas geralmente levam muito tempo
e estudo para serem feitas, pois os cirurgiões precisam analisar todo o cenário
para chegar à melhor opção de procedimento.
No caso de Mercy e Goodness, que tinham apenas um ano e sete
meses de vida quando foram operadas, a tecnologia foi uma grande aliada
para o sucesso do procedimento.
Para a cirurgia das gêmeas, os médicos utilizaram inteligência
artificial (IA) e realidade aumentada. O planejamento do procedimento foi feito
usando modelos 3D dos crânios das irmãs, junto de tecnologia virtual de
laboratórios britânicos. A cirurgia foi acompanhada por mais de 50 médicos de
diversas regiões do mundo.
Também foram usados expansores de pele feitos de silicone,
instalados nas cabeças das meninas para auxiliar o crescimento de pele dos
novos crânios delas.
Gêmeas sobrevivem com ajuda de instituição de caridade
Para se ter uma ideia, gêmeos siameses têm pouca expectativa de vida: cerca
de 40% dos bebês já nascem mortos e um terço morre nas primeiras 24 horas. Apenas
um a cada dez milhões sobrevive o suficiente para ser submetido à cirurgia.
Mercy e Goodness só sobreviveram porque foram encaminhadas à
instituição britânica de caridade Gemini Untwined aos seis meses de vida. Os
médicos dizem que o nascimento das irmãs pode ser considerado um milagre, já
que elas vieram ao mundo com os crânios grudados e em direções opostas.
O médico fundador da instituição e também do Great Ormond
Street Hospital, professor Noor ul Owase Jeelani, destacou como os avanços
tecnológicos ajudaram na cirurgia.
“Com base na experiência dos nossos oito casos anteriores, e
utilizando técnicas e estratégias inovadoras, conseguimos dar a estas meninas e
às suas famílias um novo futuro, onde podem desfrutar da infância como gémeas
intactas, mas separadas”, disse ao diário britânico The Sun.
Após o sucesso da cirurgia, as gêmeas já retornaram para
casa e se recuperaram totalmente.
Jeelani reforça que, além da importância dos avanços
tecnológicos, a troca e contribuição de profissionais de outras regiões para o
sucesso de procedimentos complicados é fundamental.
“Este caso envolveu uma equipe dividida em três continentes,
ajudando crianças de um quarto continente… é um belo exemplo de como podemos
alcançar resultados que transformam vidas por meio da colaboração global e do
compartilhamento”, finalizou.