divulgação -12/07/2021 14:30
Bem ou mal, chegamos ao mês de julho e com ele a data mais
marcante do ano: O aniversário de nossa querida cidade. Saímos de nossas casas
todos os dias pra lá e pra cá, vamos ao banco, passamos pela praça, dirigimos
pelas ruas principais, tudo normal. Parece que tudo sempre esteve lá, mas não é
bem assim:
Fundada em 11 de Julho de 1937, já é uma jovem senhora com
suas histórias e personagens. Profetizada como potência por Euclides da Cunha
no início do século passado (“No vértice da confluência do caudaloso Paraná com
o legendário Tietê, surgirá uma grande metrópole”) e Cora Coralina (que morou
em Andradina entre 1940 e 1951), segue ligeira em direção ao futuro.
O autor André Davi Martins
Na última década tivemos muitos progressos como a chegada do
shopping, hotéis, faculdades com diversos cursos superiores e a construção de
um parque temático.
E pensar que tudo isso começou dentro da mente fértil e
inquieta de um comerciante, que aprendeu a língua árabe quando jovem e fez
fortuna comprando e vendendo café. Estou me referindo ao fundador Antônio
Joaquim de Moura Andrade, que com visão além de seu tempo, conseguiu que se
construísse um ramal ferroviário, a Variante, entre as estações de Araçatuba e
Três Lagoas da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, que teve sua construção
ordenada pelo presidente Getúlio Vargas. Às margens da "Variante",
foram criados vários povoados, que hoje são cidades.
O traçado antigo da linha da NOB, que chegou ao Rio Paraná
em 1910 e ficou conhecido depois como Ramal Araçatuba - Lussanvira (atual
Pereira Barreto), por ter sido construído muito próximo ao Rio Tietê, estava
muito sujeito à malária e ficava longe das terras mais altas, mais adequadas
para o plantio de café, o qual era transportado por ferrovia para o porto de
Santos.
Ponte de Pedra que servia à antiga ferrovia
A Variante, seguindo direto de Araçatuba para a atual
Andradina, passaria na Fazenda Guanabara seguindo em direção ao Mato Grosso do
Sul.
Devidamente planejado, o novo povoado surgiu em 11 de julho
de 1937, em terras da Fazenda Guanabara. Nesta data chegou o primeiro trem de
ferro da Variante da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil.
Moura Andrade loteou, em pequenos sítios, parte da Fazenda
Guanabara, para os pioneiros recém-chegados, (ao todo eram 6.000 famílias), sem
exigir fiador ou entrada em dinheiro. Moura Andrade instalou luz elétrica
movida a motor diesel. Quase todos os comércios da nova povoação pertenciam a
ele no início, inclusive um Banco. Ele atraiu muitos comerciantes para a nova povoação,
vendendo a preços baixos os lotes urbanos.
Cinco meses após ter sido formado o povoado, Andradina foi
elevada à condição de Distrito de Paz de Valparaíso, em 10 de novembro de 1937.
Andradina ganhou autonomia administrativa em 30 de dezembro
de 1938, quando foi desmembrada do município de Valparaíso e elevada à condição
de município pelo interventor federal no Estado de São Paulo, Ademar de Barros.
A sede da prefeitura foi instalada onde hoje fica a escola
Dr. Álvaro Guião. A posse do primeiro prefeito municipal, Evandro Brembati
Calvoso, ocorreu em 10 de janeiro de 1939.
O município de Andradina foi desmembrado várias vezes
perdendo parte de seu território para a formação dos novos municípios de
Guaraçaí, Algodoal (atual Murutinga do Sul), Castilho e de Nova Independência.
Andradina perdeu terras, em 1944, para a formação do Distrito de Gracianópolis
(atual Tupi Paulista) pertencente a Lucélia, e para Mirandópolis.
Moura Andrade foi tão grande, tão gigante, que por muito
tempo foi o maior criador de gado do Brasil, fundou um frigorífico e uma frota
de aviões para transportar carne para fora do país (também era piloto e
sobreviveu a pelo menos uma queda de seu avião).
Um de seus filhos, Auro Soares de Moura Andrade, foi
senador, presidente do Congresso e candidato a governador do estado de São
Paulo. Era presidente do congresso quando Jânio Quadros renunciou em agosto de
1961. Declarou vago o cargo presidencial, uma vez que o vice-presidente João
Goulart encontrava-se na China em viagem oficial. Neste curto período de
transição, até dar posse a Ranieri Mazzili, ele foi de fato o presidente do
país (fonte: Wikipédia).
Resumindo: nossa amada cidade nasceu grande, deu
inestimáveis contribuições para o país, tem clima ameno e povo hospitaleiro.
Possui, portanto, todas as condições necessárias para se tornar uma potência
regional, bastando que nós, andradinenses, acreditemos nesse potencial e
juntemos forças, unidos em prol desse objetivo comum.
Se um andradinense, que estivesse fora por dez anos,
chegasse aqui hoje certamente se surpreenderia com tantas mudanças.
Deixo aqui um desafio: Que daqui dez anos sejamos
surpreendidos mais uma vez pela pujança de nossa cidade menina. Quem acredita?
André Davi Martins é Sargento da Polícia Militar, professor
de tiro e mediador de conflitos do Cejusc.