

BRASIL - Nesta segunda-feira (6), começam no Rio de Janeiro os primeiros exames para tratamento de apneia do sono em pacientes que sofrem de pressão alta. O objetivo dos testes, que são realizados pela UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), é comprovar a eficácia de uma máscara usada pelos pacientes e, com isso, incluir o tratamento no SUS (Sistema Único de Saúde).
A apneia do sono se caracteriza por paradas respiratórias durante a noite. A gravidade da doença é de moderada a grave quando se registram mais de 15 interrupções em uma mesma noite.
De acordo com uma das responsáveis pelo projeto, a médica Elizabeth Muxfeldt, a apneia do sono pode ter uma relação direta no agravamento dos quadros de hipertensos resistentes – pacientes que sofrem de pressão alta e que usam mais de três drogas anti-hipertensivas.
- A apneia estimula não só o sistema nervoso autônomo como também a parte endócrina [hormônios], fazendo com que eleve a pressão arterial e provoque outras alterações cardiovasculares. Paciente com apneia têm mais risco de arritmias graves, mais doenças coronarianas.
Segundo Elizabeth, o tratamento ideal para esse paciente é o uso da máscara conhecida como CPAP (máscara de pressão positiva de vias aéreas superiores). O equipamento tem um custo alto que varia de acordo com graus de sofisticação, podendo ser adquirido, segundo a médica, a partir de R$ 3 mil. O SUS não cobre o tratamento atualmente, mas Muxfeldt aposta que a comprovação da relação entre as duas doenças pode mudar esses parâmetros.
- No projeto os doentes serão divididos em dois grupos. Metade vai usar a máscara e outra metade não vai usar. Antes da máscara, eles vão fazer avaliação cardiovascular em relação à pressão, arritmia, massa do coração, exames hormonais e outra série de exames.
Após essa primeira etapa, todos os testes serão repetidos depois de seis meses do uso do equipamento. Só então os pesquisadores irão confirmar que o uso do CPAP melhora todos esses parâmetros cardiovasculares, diminuindo o risco do paciente de ter um infarto, um derrame e complicações cardiovasculares.
- Mostrando que ela realmente diminui o risco cardiovascular, a gente espera conseguir que o SUS passe a pagar a máscara para o paciente.
Na primeira fase de exames do laboratório, construído com verbas de R$ 900 mil da Finep (Financiadora de Projetos e Pesquisas) e do Ministério da Saúde, a prioridade serão os pacientes com hipertensão resistente do Hospital do Fundão. O laboratório começa a funcionar com quatro leitos, onde poderão ser feitos quatro exames por noite. A partir de abril do ano que vem, os exames poderão ser feitos em outros pacientes do Hospital do Fundão ou de outros hospitais públicos.
Foto: Máscara CPAP, usado para o tratamento da apneia do sono - Wikimedia Commons
R7 - 06/09/2010 - 11:38