Noticias ao minuto -11/08/2026 13:24
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deixou secretamente a Turquia em um avião militar após participar da cúpula da Otan realizada no mês passado em Ancara. Segundo reportagem publicada pelo Washington Post, a operação foi organizada depois que autoridades americanas identificaram uma ameaça do Irã contra o chefe da Casa Branca.
O esquema teria sido planejado para fazer parecer que Trump
estava viajando no Air Force One, enquanto, na realidade, seguia em outra
aeronave. A movimentação ocorreu sem o conhecimento de jornalistas e até de
parte dos funcionários da Casa Branca que acompanhavam a comitiva presidencial.
De acordo com o jornal, Trump embarcou diante das câmeras em
um dos aviões presidenciais. Poucos minutos depois, porém, deixou a aeronave
sem ser visto e foi transferido para um C-32A da Força Aérea dos Estados
Unidos, de menor porte.
A retirada teria ocorrido por meio de um caminhão de
catering do aeroporto, normalmente usado no transporte de refeições e
suprimentos para aeronaves. O veículo permitiu que o presidente chegasse ao
segundo avião sem chamar atenção.
O Washington Post afirma ter baseado a reportagem em
materiais analisados pelo jornal, além de informações fornecidas por um
funcionário americano familiarizado com a operação e por outra pessoa com
conhecimento da viagem presidencial. A Associated Press informou que não
conseguiu confirmar independentemente os detalhes.
Trump havia chegado à cúpula em um novo avião nas cores
vermelho, branco e azul-marinho, oferecido pelo governo do Qatar. Antes da
saída da Turquia, ele afirmou que faria parte do retorno aos Estados Unidos em
um Air Force One de modelo mais antigo, pintado de azul-claro.
Na ocasião, Trump explicou que a aeronave mais nova seguiria
antes para a Inglaterra para que militares americanos instalados no leste do
país pudessem conhecer o novo avião presidencial.
Em Ancara, o presidente entrou no antigo Air Force One
diante das câmeras de televisão. A aeronave decolou posteriormente em direção à
base aérea de Mildenhall, no Reino Unido.
Segundo o Washington Post, entretanto, Trump já não estava a
bordo. O presidente teria seguido até Mildenhall no C-32A da Força Aérea.
Ao chegar à base britânica, fotógrafos registraram Trump
descendo do avião presidencial. A sequência indica, segundo o jornal, que ele
voltou a embarcar no Air Force One fora do alcance dos jornalistas que
acreditavam ter viajado na mesma aeronave que o presidente.
Depois de uma breve passagem por Mildenhall, Trump embarcou
no novo avião presidencial para seguir viagem até Washington.
Durante uma conversa com jornalistas a bordo, o presidente
foi questionado diretamente sobre a existência de alguma ameaça concreta do Irã
contra o Air Force One.
“Bem, recebo ameaças a toda a hora. Sou o número um na lista
deles, antes de vocês”, respondeu.
Em seguida, acrescentou aos repórteres: “Mas se eu for,
vocês também vão”.
Casa Branca não comenta detalhes da operação
A Casa Branca não respondeu diretamente aos questionamentos sobre a operação
descrita pelo Washington Post nem sobre a suposta estratégia montada para dar a
impressão de que Trump permanecia no Air Force One durante o voo entre Ancara e
Mildenhall.
O Serviço Secreto dos Estados Unidos também se recusou a
comentar o caso. A Força Aérea americana encaminhou os pedidos de informação à
Casa Branca.
Durante a passagem de Trump pela Turquia, forças militares
dos Estados Unidos realizaram uma série de ataques de grande escala contra o
Irã, em resposta a bombardeios iranianos contra navios mercantes na região.
No mês passado, o New York Times e a CBS News já haviam
informado que integrantes dos serviços de inteligência dos Estados Unidos
demonstraram preocupação com a possibilidade de um ataque contra Trump ou
contra sua aeronave.
As informações levaram ao reforço das medidas de segurança
e, segundo os veículos, pesaram na decisão de não utilizar o avião
recém-incorporado à frota presidencial, oferecido pelo Qatar, no primeiro
trecho da viagem de volta aos Estados Unidos.