noticias ao minuto -19/01/2026 07:58
A ameaça de tarifas comerciais e o envio de tropas europeias
ao Ártico marcaram um novo capítulo da escalada diplomática em torno da
Groenlândia. No centro da crise está o presidente dos Estados Unidos, Donald
Trump, que declarou que “chegou a hora” de agir diante do que considera falhas
históricas da Dinamarca na defesa do território.
A declaração foi feita nesta segunda-feira (19), depois de
Trump anunciar que poderá impor tarifas de até 25% a países europeus que se
oponham aos planos americanos para a ilha. Segundo o republicano, a pressão
econômica só será suspensa caso haja um acordo que permita aos Estados Unidos
assumir o controle total da Groenlândia.
Na avaliação do presidente, a Dinamarca ignorou alertas
feitos ao longo de duas décadas pela OTAN sobre a presença russa na região.
Para Trump, essa omissão teria criado um vácuo de segurança que agora
justificaria uma ação direta de Washington. “Infelizmente, nada foi feito.
Agora chegou a hora”, afirmou.
A Groenlândia é considerada estratégica pelo governo
americano por sua posição no Ártico e pelo papel central que teria no chamado
Domo de Ouro, projeto de escudo antimísseis que Trump pretende implementar.
Embora os Estados Unidos já mantenham uma base militar na ilha, a presença foi
reduzida nos últimos anos, movimento que o próprio presidente agora classifica
como um erro.
A retórica americana provocou reação imediata na Europa.
Alemanha, França, Reino Unido, Noruega, Holanda e Suécia enviaram tropas à
Gronelândia na última quinta-feira (15), em uma demonstração de apoio à
soberania dinamarquesa e de resistência às pretensões dos EUA.
Além da dimensão militar, Trump elevou o confronto ao campo
econômico. Em publicação nas redes sociais, anunciou que, a partir de 1º de
fevereiro de 2026, oito países europeus estarão sujeitos a uma tarifa inicial
de 10% sobre exportações aos Estados Unidos, percentual que subiria para 25% em
junho, caso não haja acordo.
Segundo a agência Reuters, em carta ao primeiro-ministro da
Noruega, Jonas Gahr Støre, Trump afirmou que já não se sente obrigado a
priorizar exclusivamente a paz nas negociações. A resposta norueguesa foi
imediata: Støre classificou como inaceitável qualquer tentativa de coerção
econômica ligada à Groenlândia.