folhapress -11/01/2026 16:42
Após operação para capturar o ditador Nicolás Maduro da Venezuela, Donald Trump fez uma série de publicações nas redes sociais neste domingo (11), sugerindo a derrubada do regime de Cuba, que é um país socialista há seis décadas.
Trump republicou um post que dizia que seria
"incrível" se ele acabasse com o sistema político cubano. A
publicação foi feita por Marc Thiessen, ex-diretor de discursos da Casa Branca,
que escreveu que o regime do país sobreviveu a cada presidente americano desde
1961, mas que poderia mudar com a atuação do republicano.
O presidente norte-americano endossou que o plano poderia
ser realizado ainda neste ano. "Seria uma incrível sequência de vitórias
se duas décadas de comunismo na Venezuela, cinco décadas de mulás iranianos e
quase sete décadas de Fidel Castro em Cuba fossem revertidos em 2026",
dizia um de seus apoiadores.
Na sequência, o líder dos EUA continuou compartilhando
postagens que afirmavam que "seria um sonho" a derrubada do governo
cubano. "Para o bem da minha mãe de 78 anos (muito MAGA), e que emigrou de
Cuba em 1960 quando ela tinha 13 anos, seria um indescritível sonho se isso
acontecesse", falou outra pessoa.
Trump chegou até a concordar que o secretário de Estado,
Marco Rubio, poderia ser o presidente de Cuba. "Isso me parece bom",
respondeu ao republicar um comentário feito por outro de seus seguidores.
Sem detalhar, mas em tom de ameaça, Trump sugeriu que Cuba
faça um acordo com os EUA "antes que seja tarde". Ainda nas redes
sociais, o presidente afirmou que cuba viveu muitos anos com petróleo e
dinheiro da Venezuela em troca de "serviços de segurança", citando os
32 cubanos mortos no ataque dos EUA. "Mas isso acabou! A Venezuela agora
tem os EUA, as forças armadas mais poderosas do mundo", escreveu.
"Não haverá mais petróleo nem dinheiro para Cuba, nada!
Sugiro fortemente que façam um acordo antes que seja tarde demais"
Atualmente, o presidente de Cuba é Miguel Díaz-Canel, um
ex-professor universitário e engenheiro que está no poder desde 2018. Em 2021,
ele também passou a liderar o Partido Comunista de Cuba e foi reeleito como
presidente do país dois anos depois, para um segundo e último mandato.
CUBA ESTÁ SOB SANÇÕES DOS EUA HÁ MAIS DE 60 ANOS
Os EUA mantêm um embargo econômico amplo contra a República
de Cuba há seis décadas. Em fevereiro de 1962, o então presidente John F.
Kennedy proclamou um embargo comercial entre as duas nações, "em resposta
a certas ações tomadas pelo governo cubano", que permanece em vigor até
hoje.
Ao longo dos anos, as sanções foram se fortalecendo. O
bloqueio impõem sanções contra navios que atracam em portos cubanos,
proibindo-os de entrar nos EUA por seis meses. Além disso, impede que entidades
de outros países que operem com mais de 10% de capital estadunidense façam
qualquer tipo de comercialização com Cuba.
Em outubro de 2024, a Assembleia Geral da ONU aprovou, pela
32ª vez consecutiva, a necessidade de acabar com o embargo. Esta resolução foi
aprovada por 187 países, tendo apenas uma abstenção -da Moldávia- e dois
emblemáticos votos contrários: dos Estados Unidos e de Israel.
Cuba também atravessa o pior momento econômico dos 67 anos
desde a Revolução. Embora o país já tenha enfrentado, em décadas passadas,
episódios de migração em massa, escassez de alimentos e agitação social, nunca
os cubanos haviam vivenciado um colapso tão amplo da rede de proteção social.
O bloqueio é uma das causas inegáveis da atual situação -
embora certamente não a única - e deve ser considerado no centro de qualquer
análise honesta sobre Cuba. Quanto aos protestos e a deslegitimação do governo,
tem ocorrido legítimas e pontuais expressões de descontentamento, mas sem uma
amplitude e capilaridade na sociedade cubana a ponto da população rechaçar as
conquistas da Revolução Cubana
Fernando Correa Prado, professor da Universidade Federal da
Integração Latino-Americana, em artigo publicado no site do governo brasileiro
CRISE NA VENEZUELA AUMENTOU AMEAÇAS À CUBA
Os cubanos se preparam para o agravamento da crise econômica
depois que os EUA bloquearam petroleiros venezuelanos. No porto de Matanzas,
onde petroleiros atracam, postos de gasolina estiveram fechados esta semana,
refletindo a crescente escassez de suprimentos. A mais recente ação dos EUA
está alimentando o temor de que os já frequentes cortes de energia, que duram
horas, se agravem.
Para Cuba, a perda do petróleo venezuelano é devastadora.
Entre janeiro e novembro do ano passado, a Venezuela enviou uma média de 27.000
barris por dia (bpd) para a ilha, cobrindo cerca de 50% do déficit de petróleo
de Cuba, de acordo com dados de remessa e documentos da empresa petrolífera
estatal venezuelana PDVSA.
EUA também disseram que querem assessores e militares de
Cuba fora da Venezuela. A ordem se estende também a funcionários da China,
Rússia e Irã. A demanda teria partido do secretário de Estado americano, Marco
Rubio, em conversa com presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez.