cnn -03/01/2026 16:56
O presidente dos EUA, Donald Trump, fez um pronunciamento na tarde deste sábado (3), em sua residência em Mar-a-Lago, na Flórida, para comemorar o sucesso do ataque americano à Venezuela. Ele afirmou que os EUA governarão o país sul-americano até que um novo governo assuma o comando do país.
Trump acrescentou que, após a captura de Maduro e de sua
esposa, Cilia Flores, os EUA "não podem arriscar que alguém que não tenha
o bem do povo venezuelano em mente tome o controle da Venezuela".
"Tivemos décadas disso e não vamos deixar que volte a acontecer",
declarou.
"Vamos governar o país até que possamos fazer uma
transição pacífica", disse Trump, explicando que as forças armadas dos EUA
estavam prontas para realizar uma segunda onda de ataques, "muito
maior", se isso fosse necessário. Trump declarou ainda que uma equipe
liderada pelo Secretário de Estado Marco Rubio, presente à coletiva, cuidará
desta transição.
O tom foi de celebração e elogio patriótico à ação,
afirmando que os EUA “recuperaram o respeito”. Ele lembrou, em especial, o
fracasso militar americano no Afeganistão, um legado do rival democrata, o
ex-presidente Joe Biden.
“Nenhuma nação pode conquistar o que os EUA conquistaram
recentemente”, declarou o presidente americano, mencionando as ações contra
Qassem Soleimani (2020), militar iraniano morto no Iraque e Abu Bakr
al-Baghdadi (2019), militar iraquiano morto na Síria.
Trump mencionou ações militares “não tão bem-sucedidas”,
citando especialmente a intervenção no Afeganistão. A operação militar dos EUA
naquele país terminou com uma retirada considerada negativa para a imagem da
nação, resultando na retomada do poder pela ditadura islâmica do Talibã. A
retirada do Afeganistão foi determinada pela administração democrata de Joe
Biden.
Ele afirmou que a "dominância dos EUA" não será
mais questionada após as ações militares deste sábado. "A dominância dos
EUA nunca mais será questionada, isso nunca mais acontecerá", advertiu.
Trump ainda ameaçou outros terroristas e ditadores de outros lugares do mundo, dizendo que o que aconteceu com Nicolas Maduro, que foi capturado e levado a um tribunal, poderá acontecer com outros. Trump citou especificamente o caso do presidente colombiano, Gustavo Petro, a quem atribui ações de tráfico de drogas. "Foi um ataque pela soberania e pela justiça", disse, sobre o ataque à Venezuela.
Trump declarou que nenhum militar foi morto e nenhum
equipamento acabou danificado após a ação deste sábado. Ele declarou que uma
ação militar como essa não era vista desde a 2ª Guerra Mundial.
Acusação contra Maduro sai do sigilo
Um juiz do Tribunal Federal do Distrito Sul de Nova York
levantou sigilo da nova acusação contra o líder venezuelano, Nicolás Maduro. O
documento amplia a denúncia, a mesma apresentada em 2020, colocando o venezuelano
como líder de uma rede de narcoterrorismo. Por mais de duas décadas, Maduro
teria utilizado a estrutura do Estado venezuelano para infiltrar grandes
quantidades de cocaína nos Estados Unidos.
"Maduro e sua esposa logo estarão diante de todo o
poderio da justiça americana", declarou.
Em setembro de 2025, o Secretário de Estado, Marco Rubio,
classificou Maduro como um "fugitivo da justiça americana". Como o
governo dos EUA não o reconhece como presidente legítimo, a recompensa pelas
informações que levariam à sua prisão foi elevada para US$ 50 milhões (mais de
R$ 250 milhões).
A estrutura do "Cartel de los Soles"
A promotoria sustenta que Maduro lidera o chamado Cartel de
los Soles, organização composta por altos comandos militares venezuelanos
(cujas insígnias exibem sóis). Segundo a denúncia, o objetivo do grupo não era
apenas o enriquecimento e a manutenção do poder, mas também o uso da droga como
uma "arma" para inundar e desestabilizar os Estados Unidos.
O texto descreve o governo da Venezuela como um poder
"ilegítimo", citando o questionamento internacional das eleições de
2018 e 2024. Estima-se que, por volta de 2020, entre 200 e 250 toneladas de
cocaína transitavam anualmente pelo território venezuelano.
Segundo a agência EFE, o caso está sob responsabilidade do
juiz federal Alvin K. Hellerstein. O sistema judiciário americano já processou
outros ex-líderes latino-americanos em contextos semelhantes, como o panamenho
Manuel Noriega e o hondurenho Juan Orlando Hernández. Se condenado, as penas de
Maduro podem resultar em prisão perpétua.