metropoles -09/09/2026 18:07
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, suspendeu nesta quarta-feira (9/9) as decisões dos ministros André Mendonça e Flávio Dino envolvendo o comando da Polícia Federal (PF) e determinou que o impasse seja levado ao Plenário da Corte.
Fachin suspendeu tanto a ordem de Mendonça que afastou o
diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o diretor de Inteligência, Leandro
Almada, quanto a decisão de Dino que determinou a reintegração dos dois.
Com isso, o quadro fica como estava antes da decisão de
Mendonça: Andrei segue como diretor-geral da PF.
“É grave o quadro em que decisões de ministros passam a ser
desafiadas horizontalmente, mormente quando pendentes, tanto o julgamento em
curso no âmbito da Segunda Turma deste Tribunal, quanto o pedido de suspensão
de liminar que se encontra sob apreciação desta Presidência. Essa é a razão
pela qual determinei, nos autos da Pet 16.704, a suspensão de decisão proferida
pelo ministro Flávio Dino sobre o mesmo objeto, nos autos da Pet 16.669”,
afirmou Fachin.
Na mesma decisão, Fachin
convocou sessão extraordinária do plenário do STF, para a próxima
terça-feira (15/9), em formato presencial, para apreciar a petição de Mendonça.
O presidente da Corte ainda intimou o Andrei Rodrigues para
prestar informações em até 48 horas sobre o caso. “Isso feito, o Presidente
decidirá sobre a permanência ou não do Diretor-Geral da Polícia Federal no
procedimento específico referido acima (SL 1946), de competência da
Presidência”, diz.
Em outra decisão, Fachin
ainda revogou a relatoria de Alexandre de Moraes do Inquérito das Fake News,
instaurado desde 2019.
Entenda a crise
Moraes x Mendonça
O pano
de fundo da crise é o avanço das investigações envolvendo o caso do
Banco Master.
Andrei Rodrigues e Leandro Almada, diretor de Inteligência
da PF, foram afastados de seus cargos na cúpula da corporação, nessa
terça-feira (8/9), por decisão do ministro André Mendonça. O magistrado apontou
condutas suspeitas no relatório enviado ao ministro Alexandre de Moraes no
âmbito do Inquérito das Fake News.
Mendonça justificou que o afastamento preventivo do diretor
da corporação é necessário para evitar que as atividades policiais “continuem
sendo vilipendiadas”.
Flávio Dino, no entanto, reconduziu os delegados aos cargos
nesta quarta-feira. Segundo ele, Mendonça estaria interferindo na investigação
ao afastar as chefias.
O ministro ressaltou que a medida é inédita e que inquéritos
policiais não podem ser afetados por “divergências funcionais ou pessoais com a
Polícia Federal”. Ele defendeu que o caso seja debatido no plenário da Corte.
Fachin, no entanto, ainda não se manifestou sobre uma data para essa discussão
presencial.