metropoles -08/09/2026 09:44
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal
(STF), determinou nesta terça-feira (8/9) o afastamento preventivo do
diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. O magistrado afirmou ter
sido alvo de “monitoramento
sistemático e ilegal” da Polícia Federal por mais de 30 dias.
A
medida ocorre em meio aos desdobramentos das investigações relacionadas ao caso
do Banco Master. O nome de Andrei Rodrigues surgiu em mensagens de Daniel
Vorcaro, dono do Master.
Na mesma decisão, o magistrado também ordenou o afastamento
do delegado federal Leandro Almada da Costa, diretor de Inteligência Policial
da PF.
Segundo Mendonça, a medida é necessária para que os
integrantes da Corte, o advogado-geral da União, Jorge Messias, e os servidores
da Polícia Federal “exerçam suas atribuições sem constrangimentos
ilegais”.
O ministro determinou também a suspensão de qualquer
produção ou compartilhamento de relatórios de inteligência voltados a analisar
a atuação funcional de magistrados, da advocacia pública ou da atividade de
polícia judiciária.
De acordo com a decisão, o diretor-geral da PF encaminhou
ao ministro Alexandre de Moraes, no âmbito do Inquérito das Fake News, ao
menos seis “relatórios de inteligência” produzidos de forma sigilosa entre 3 e
31 de agosto de 2026.
“A par de existirem outras questões em torno das inadequações,
disfuncionalidades, irregularidades e potenciais ilicitudes na conduta do
senhor Andrei Augusto Passos Rodrigues, a superlativa gravidade e ilicitude na
produção dos ‘relatórios de inteligência’ publicizados pelo ministro Alexandre
de Moraes impõe a adoção de providências imediatas para evitar que as
prerrogativas da magistratura, da advocacia pública e da própria atividade
policial continuem sendo vilipendiadas”, escreveu Mendonça.
A peça aponta que o próprio André estava sendo monitorado
ilicitamente por parte da inteligência policial há mais de 30 dias.
Entenda
a crise
·
PF mapeou troca de mensagens e supostos
encontros entre Moraes e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
·
Andrei Rodrigues e Paulo Gonet também apareceram
em mensagens do banqueiro.
·
O ministro André Mendonça derrubou sigilo de
relatório da PF.
·
Com a crise instalada no Supremo, a PGR defendeu
a nulidade dos atos de Mendonça;
·
Moraes pediu a abertura de investigação contra
Mendonça no Inquérito das Fake News.
·
André Mendonça apontou que era alvo de
monitoramento ilícito da Polícia Federal.
·
Relator determinou o afastamento do
diretor-geral da PF.
Possível
envolvimento
Uma troca de mensagens entre o dono do Master e o ministro
do STF Alexandre de Moraes indica que o banqueiro pediu que o magistrado
tentasse reverter as investigações sobre a instituição financeira junto ao
procurador-geral da República, Paulo Gonet, e Andrei Rodrigues.
“Não conseguimos reverter isso com Paulo e Andrei? Muita
sacanagem isso. Isso em Brasília?”, escreveu o empresário a Moraes em 15 de
novembro de 2025, dois dias antes de ser preso pela primeira vez.
Sessão
virtual
Mendonça convocou sessão virtual para referendar a decisão
que afastou Andrei e o diretor de Inteligência da PF. A Segunda Turma do STF
julgará, entre as 10h e as 23h59 desta terça-feira (8/9), a decisão do ministro
André Mendonça de determinar o afastamento preventivo do diretor-geral da
Polícia Federal (PF), Andrei Passos Rodrigues, e do diretor de Inteligência
Policial da corporação, Leandro Almada da Costa.
Mendonça pediu a convocação de uma sessão virtual
extraordinária especificamente para o referendo da medida cautelar.
Na decisão submetida à Segunda Turma, Mendonça também
determinou que a Corregedoria da PF abra investigações de natureza penal e
administrativo-disciplinar para apurar a produção de relatórios de
inteligência.
O ministro ordenou ainda a suspensão da elaboração e do
compartilhamento, mesmo internamente, de documentos de inteligência destinados
a analisar atos praticados por integrantes do Judiciário, da Advocacia Pública
e da polícia judiciária.
O Partido Novo havia pedido inicialmente o afastamento
cautelar de Andrei e, posteriormente, a prisão preventiva. A legenda baseou os
pedidos, entre outros elementos, em mensagens encontradas no celular do
banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, nas quais havia referências a
“Andrei”, identificado pela PF como sendo o diretor-geral da instituição.