rev hernandes dias lopes -04/01/2026 16:45
No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus” (Jo 1:1).
O Evangelho segundo João é, possivelmente, a obra mais
importante da literatura universal. É a obra mais traduzida, mais impressa e
mais largamente distribuída. Já passam de quatro bilhões de exemplares. João
escreveu este Evangelho no final do primeiro século, quando os Evangelhos
sinóticos já circulavam nas igrejas há mais de vinte anos.
João escreveu este Evangelho, quando os demais apóstolos já
estavam mortos, e mortos pelo viés do martírio. João escreveu este Evangelho
para defender a fé cristã de um ataque frontal do Gnosticismo, que negava a
divindade de Jesus, o Cristo. Este Evangelho, portanto, é uma tese que prova,
de forma robusta e irrefutável, a divindade de Cristo, o Verbo de Deus. No
texto inicial de sua obra, inspirado pelo Espírito Santo, João elenca três
verdades gloriosas sobre a divindade do Verbo de Deus.
Em primeiro lugar, a eternidade do Verbo. “No
princípio era o Verbo...” (Jo 1:1). Ao empregar o verbo “ser” no pretérito
imperfeito, João crava, já de início, a evidência inegável de sua tese. Se o
Verbo preexiste ao tempo, ao princípio e à criação, então ele é eterno. Como
eternidade é um atributo exclusivo de Deus, logo o Verbo sendo eterno, é Deus.
O Verbo já tinha plena comunhão com o Pai antes que houvesse
mundo (Jo 17:5). Ainda não existia céu nem terra, estrelas nem galáxias, anjos
tampouco homens e o Verbo já existia no sentido pleno, na perfeita comunhão
intra-trinitariana. Eternidade não apenas é um atributo exclusivo da Divindade,
mas, também, inalcançável para nós. Entendemos um pouco de tempo, mas não de
eternidade. Por exemplo: Se subtrairmos um dia de um milhão de anos, não
teremos, por certo, mais um milhão de anos. Porém, se subtrairmos um milhão de
anos de eternidade, quanto nos sobrará? A eternidade! Logo a eternidade não é
tempo.
Consequentemente, não compreendemos tão bem a eternidade,
pois este é um atributo exclusivo de Deus. Se alguém, então, pergunta: “Quando
o Verbo passou a existir?” Respondemos: O Verbo não passou a existir, ele é
eterno, ele é o Pai da eternidade. Ele não foi criado, ele é o criador.
Em segundo lugar, a pessoalidade do Verbo. “... e
o Verbo estava com Deus...”. A expressão retro mencionada na língua grega
significa, “face a face com Deus”. Ora, se Deus é um ser pessoal, e ele é; se o
Verbo estava face com Deus, logo o Verbo não é um ser impessoal como pensavam
os gregos, mas um ser pessoal, da mesma essência e da mesma substância.
Nas palavras do Credo Niceno: “Ele é Deus de Deus, Luz de
Luz, coigual, coeterno e consubstancial com o Pai”. O Verbo não apenas estava
com o Pai, ele é o revelador do Pai. Ele é o resplendor da glória, a expressão
exata do ser de Deus. Nele habita corporalmente toda a plenitude da
divindade.
Em terceiro lugar, a divindade do Verbo. “... e o
Verbo era Deus”. João encerra o primeiro versículo da sua obra magistral,
afirmando categoricamente que o Verbo era Deus. Não apenas um ser inferior a
Deus, como pensava Ário, de Alexandria tampouco um ser apenas superior aos
anjos. Ele é verdadeiramente Deus. Possui a mesma natureza, a mesma substância,
os mesmos atributos e realiza as mesmas obras de Deus.
Ele ostenta os atributos que só Deus os tem: Ele é
autoexistente, infinito, imenso, eterno, imutável, onisciente, onipresente,
onipotente, transcendente. Outrossim, ele realiza as mesmas obras de Deus: Ele
é o criador, o doador da vida e o sustentador do universo. São oportunas as
palavras de C. S. Lewis, erudito apologeta cristão: “Com respeito a Jesus só
podemos ter três possibilidades: Mentiroso, lunático ou Deus”. Se ele não é quem
disse ser, então, é um mentiroso. Se ele não é quem pensou ser, então, é um
lunático. Mas se ele é quem disse ser, então, ele é Deus, pois só ele pôde
dizer: “Quem me vê a mim, vê o Pai, pois eu e o Pai somos um”. Só nos resta
fazer o que Tomé fez: prostrarmo-nos aos seus pés e dizer: “Senhor meu, e Deus
meu”.
Jesus é Verdadeiramente Deus sem deixar de ser
verdadeiramente Homem. Ele é o nosso glorioso Redentor, a razão da nossa vida,
o conteúdo da nossa esperança, a âncora da nossa fé.