agencia brasil -23/06/2025 18:38
A partir desta segunda-feira (23), farmácias e drogarias
começam a reter receitas de medicamentos agonistas GLP-1, popularmente
conhecidos como canetas emagrecedoras. ![]()
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A categoria inclui a semaglutida, a liraglutida, a
dulaglutida, a exenatida, a tirzepatida e a lixisenatida.
A decisão por um controle mais rigoroso na prescrição e na dispensação
desse tipo de medicamento foi tomada pela diretoria colegiada da Agência
Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em abril e entrou em vigor 60 dias
após a publicação no Diário Oficial da União.
Em nota, a agência informou que a medida tem como
objetivo proteger a saúde da população brasileira, “especialmente porque foi observado
um número elevado de eventos adversos relacionados ao uso desses medicamentos
fora das indicações aprovadas pela Anvisa”.
A análise, segundo a agência, se baseou em dados de
notificação do VigiMed, sistema disponibilizado pela Anvisa para que cidadãos,
profissionais de saúde, detentores de registro de medicamentos e patrocinadores
de estudos possam reportar suspeitas de eventos adversos relacionados a
medicamentos e vacinas.
Em uma análise comparativa, o sistema de farmacovigilância,
de acordo com a agência, sinalizou “muito mais eventos adversos relacionados ao
uso fora das indicações aprovadas pela Anvisa no Brasil do que os dados
globais”.
Ao apresentar seu voto, em abril, o diretor-presidente
substituto da Anvisa, Rômison Rodrigues Mota, destacou que o incentivo ao uso
de canetas emagrecedoras apenas com finalidade estética, acompanhado de
promessas e depoimentos de rápida perda de peso e sem o devido acompanhamento
médico, coloca em risco a saúde dos usuários:
“Estamos falando de medicamentos novos, cujo perfil de
segurança a longo prazo ainda não é totalmente conhecido. Por isso, é
fundamental o monitoramento e a vigilância. O uso sem avaliação, prescrição e
acompanhamento por profissionais habilitados, de acordo com as indicações
autorizadas, pode aumentar os riscos e os potenciais danos à saúde.”
Entenda
Com a decisão da diretoria colegiada da Anvisa, a prescrição
de medicamentos agonistas GLP-1, incluindo Ozempic, Mounjaro e Wegovy, deve ser
feita em duas vias, e a venda só pode ocorrer com a retenção da receita nas
farmácias e drogarias, assim como acontece com antibióticos.
A validade das receitas será de até 90 dias a partir da data
de emissão, período durante o qual poderão ser utilizadas pelo paciente.
Farmácias e drogarias, por sua vez, devem incluir, no
Sistema Nacional de Gerenciamento de Produtos Controlados (SNGPC), a
escrituração da movimentação de compra e venda dos medicamentos.
Segundo a agência, a decisão não altera o direito do
profissional médico de prescrever os medicamentos para finalidades diferentes
das descritas na bula.
A prática, conhecida como uso off label, ocorre quando
o médico entende que, para determinado paciente, os benefícios do tratamento
superam os riscos.
“É uma decisão tomada com responsabilidade pelo médico e
sempre com o devido esclarecimento ao paciente, garantindo que ele esteja
bem-informado sobre o procedimento”, destacou a Anvisa.
Uso indiscriminado
A retenção do receituário de canetas emagrecedoras já era
defendida por entidades da área da saúde, incluindo a Sociedade Brasileira de
Endocrinologia e Metabologia, a Sociedade Brasileira de Diabetes e a Associação
Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica.
Em nota aberta, as entidades citam que o uso indiscriminado
desse tipo de medicamento gera preocupações quanto à saúde da população e ao
acesso de pacientes que realmente necessitam desse tipo de tratamento.
“A venda de agonistas de GLP-1 sem receita médica, apesar de
irregular, é frequente. A legislação vigente exige receita médica para a
dispensação destes medicamentos, porém não a retenção da mesma pelas farmácias.
Essa lacuna facilita o acesso indiscriminado e a automedicação, expondo
indivíduos a riscos desnecessários”, destacou o documento.