cnn -10/11/2025 16:13
O drama da Oi chegou ao seu último capítulo após quase uma década em recuperação judicial. Nesta segunda-feira (10), foi decretada a falência da companhia, encerrando de vez o projeto da outrora super tele nacional.
A ordem foi expedida pela juíza Simone Gastesi Chevrand, da
7ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, decretando a convolação do processo
de recuperação em falência. "Não há mais surpresas quanto ao estado
do Grupo em recuperação judicial. A Oi é tecnicamente falida", descreveu.
No despacho, a magistrada apontou ainda para a liquidação
ordenada dos ativos da Oi, visando maximizar o valor para pagamento do
saldo remanescente junto aos credores.
"Cessada a sanha de liquidação desenfreada, além da
garantia da ininterrupção dos serviços de conectividade, é possível se proceder
à sua liquidação ordenada, na busca da maximização de ativos em prol de todos
aqueles atingidos pelo resultado deste processo".
A juíza determinou a continuação provisória das atividades
da Oi até que os serviços sejam assumidos por outras empresas.
Por enquanto, a operação da Oi ficará com um dos administradores
judiciais do processo, o escritório Preserva-Ação, que já havia sido
nomeado interventor após o afastamento da diretoria e do conselho da empresa.
A Justiça também dispensou a continuidade dos serviços
prestados pelos outros dois administradores (escritórios Wald e K2).
A decisão pela falência da Oi foi tomada após a empresa e o
seu interventor apontarem uma situação de insolvência dos negócios, na
sexta-feira (7). As partes citaram a impossibilidade de a companhia arcar com o
pagamento das dívidas, nem adotar medidas para dar um ânimo ao caixa.
Além disso, a Oi já havia descumprido partes do seu
plano de recuperação em andamento. "A despeito de todas as tentativas
e esforços, não há mínima possibilidade de equacionamento entre o ativo e o
passivo da empresa. Não há mínima viabilidade financeira no cumprimento das
obrigações devidas pela Oi", afirmou Chevrand.
A juíza deu sinal verde para os credores convocarem uma
assembleia na qual vão eleger um comitê para tratar da liquidação da empresa.
Neste momento, ficam suspensas todas as ações e execuções contra a falida, segundo
ordem judicial.
Antes de ir de vez à lona, a Oi chegou a pedir para
flexibilizar as condições atuais de pagamento aos credores, mas isso não chegou
a ser apreciado, dados os problemas observados.
"O que se verificou pelas contas apresentadas pela
Administração Judicial é que a proposta de aditamento, ainda que viesse a ser
aprovada pelos credores, não possuiria o condão de elidir a situação de
insolvência vivenciada pelo grupo", citou a juíza.
A Oi entrou em recuperação pela primeira vez em 2016,
com R$ 65 bilhões de dívidas. Hoje, está na segunda
recuperação, com mais de R$ 15 bilhões ainda a pagar em dívidas
dentro e fora do processo de recuperação.
Há poucas semanas, a empresa fez o pedido de mudanças no
plano de recuperação com vistas a flexibilizar os acordos com credores, o que
não chegou a ser apreciado.
Além disso, a Oi se articulou para abrir um novo processo de
recuperação nos Estados Unidos, também sem sucesso.