metropoles -10/01/2026 22:27
Um dos maiores autores da teledramaturgia brasileira, Manoel Carlos morreu neste sábado (10/1), aos 92 anos, no Rio de Janeiro. A informação foi confirmada por familiares. O autor tratava a doença de Parkinson que, ao longo do último ano, provocou agravamento de seu quadro motor e cognitivo. A causa da morte não foi informada.
Ele estava internado no Hospital Copa Star, em Copacabana, onde realizava
tratamento da doença, diagnosticada em 2019. A morte do autor foi confirmada
por meio da produtora de sua filha, a atriz Júlia Almeida, que divulgou uma
nota lamentando a perda.
“A família agradece as manifestações de carinho e solicita
respeito e privacidade neste momento delicado”, diz o comunicado.
Além de Júlia, ele também era pai da roteirista de novelas
Maria Carolina. O velório será fechado e restrito à família e amigos próximos.
Manoel Carlos é autor de alguns dos maiores sucessos da
televisão brasileira. Conhecido como Maneco, ele marcou a teledramaturgia
nacional ao criar uma galeria de protagonistas chamadas Helena, personagens que
se tornaram sua assinatura e estiveram à frente de nove novelas de sucesso,
como Por
Amor (1997) e Mulheres Apaixonadas (2003).
Nascido em 14 de março de 1933, Manoel Carlos Gonçalves de
Almeida era filho do comerciante José Maria Gonçalves de Almeida e da
professora Olga de Azevedo Gonçalves de Almeida. Embora natural de São Paulo,
sempre se considerou carioca, cidade que serviu de cenário para grande parte de
seus principais trabalhos.
Carreira
O primeiro emprego de Manoel Carlos foi aos 14 anos, como
auxiliar de escritório. Paralelamente, já demonstrava interesse pelas artes ao
integrar os Adoradores de Minerva, grupo de jovens que se reunia diariamente na
Biblioteca
Municipal de São Paulo para a leitura e discussão de literatura e
teatro.
A trajetória artística teve início diante das câmeras, e não
como autor. Aos 17 anos, em 1951, recebeu seu primeiro papel como ator na TV
Tupi de São Paulo, atuando no Grande Teatro Tupi. Em 1972, Manoel Carlos
estreou na TV Globo como diretor-geral do Fantástico, função que exerceu por
três anos.
Em 1978, transformou em novela o romance Maria Dusá, de
Lindolfo Rocha, que foi ao ar com o título Maria, Maria, sua primeira
telenovela na emissora, exibida no horário das 18h. De Baila Comigo (1981) a Em
Família (2014), consagrou-se como autor das célebres Helenas, personagens
marcadas, sobretudo, pela intensidade do amor materno.
As Helenas, que se tornaram a principal marca de Manoel
Carlos, também estiveram à frente de alguns dos maiores sucessos de sua
carreira. Sua última telenovela foi Em Família (2014), na qual Julia Lemmertz interpretou
a última protagonista da galeria. O autor também teve atuação destacada nas
minisséries, com ênfase na adaptação de Presença de Anita (2001), baseada na
obra homônima de Mário Donato.