noticias ao minuto -12/08/2026 12:11
A oposição a Gianni Infantino ganhou uma nova frente no futebol mundial. UEFA, Concacaf e AFC, que representam Europa, América do Norte, América Central, Caribe e Ásia, começaram a trabalhar conjuntamente na elaboração de um modelo alternativo de governança para a Fifa, segundo revelou o jornal britânico The Guardian.
A iniciativa surge após as três confederações cobrarem, sem
sucesso, uma análise independente sobre a gestão da entidade. A insatisfação
aumentou depois da revelação do projeto Fifa Forward Enterprise (FFE), que
previa a comercialização de uma participação de 21% na Copa do Mundo para
investidores privados. A proposta acabou sendo abandonada.
O movimento coloca em discussão questões que vão além da
permanência de Infantino na presidência. O grupo pretende definir qual deveria
ser o papel da Fifa no futebol internacional, como a entidade deveria ser
estruturada, quais regras de governança deveria adotar e de que maneira os
recursos deveriam chegar às federações nacionais. A Fifa tem 211 associações
filiadas.
Projeto pode abrir caminho para entidade rival à Fifa
De acordo com o The Guardian, o documento em elaboração
poderá ser apresentado como uma proposta de reforma da própria Fifa. Caso
Infantino rejeite as mudanças, o plano também poderá servir como plataforma de
um candidato de oposição na eleição presidencial de 2027. Em um cenário de
ruptura mais profunda, a estrutura estudada poderia até ser utilizada como base
para a criação de uma organização concorrente.
UEFA, Concacaf e AFC já iniciaram conversas preliminares
sobre a possibilidade de organizar competições próprias caso o impasse com a
atual direção da Fifa continue. Na segunda-feira, as entidades divulgaram uma
manifestação conjunta aumentando a pressão pela troca de comando.
A crise tem como um dos principais pontos o fracassado
projeto FFE. Os dirigentes das três confederações acusam Infantino de tomar
decisões sem consulta adequada e defendem que uma entidade externa ao futebol
conduza uma investigação independente sobre o episódio.
UEFA ameaça boicotar competições da Fifa
A disputa também pode atingir os torneios organizados pela
Fifa. A UEFA mantém a possibilidade de retirar suas seleções de competições da
entidade caso não receba garantias de mudanças na governança e de que uma
iniciativa semelhante ao FFE não será retomada.
O primeiro impacto pode ocorrer já na Copa do Mundo Feminina
Sub-20, prevista para setembro. Segundo o jornal britânico, a competição corre
o risco de ser disputada sem as seleções europeias.
A UEFA condiciona uma mudança de posição à abertura de uma
investigação independente sobre a tentativa de comercialização de parte da Copa
do Mundo e à apresentação de garantias juridicamente vinculantes de que o
episódio não se repetirá.
Reuniões em Salzburgo aumentam pressão sobre Infantino
Dirigentes do futebol europeu estão reunidos em Salzburgo,
na Áustria, onde ocorre a Supercopa da UEFA entre Paris Saint-Germain e Aston
Villa. O encontro é o primeiro presencial entre algumas das principais
lideranças do continente desde o início da crise envolvendo a Fifa.
Entre as conversas previstas está uma reunião entre
Aleksander Ceferin, presidente da UEFA, e Nasser Al-Khelaifi, presidente do
Paris Saint-Germain e da European Football Clubs (EFC). O objetivo é reforçar a
posição conjunta dos clubes e das federações europeias diante da direção da
Fifa.
Victor Montagliani aparece como possível rival de Infantino
A movimentação também ocorre às vésperas da definição dos
candidatos à presidência da Fifa. Quem quiser disputar o cargo precisa
formalizar a candidatura até 18 de novembro. A eleição será realizada em março
de 2027.
Victor Montagliani, presidente da Concacaf, aparece neste
momento como um dos nomes mais cotados para enfrentar Infantino, embora tenha
afirmado anteriormente que sua prioridade é buscar a reeleição no comando da
confederação regional.
A oposição, porém, ainda não domina todas as regiões do
futebol mundial. A Conmebol, responsável pela América do Sul, e a CAF, que
reúne as federações africanas, manifestaram apoio a Infantino nos últimos dias.
A divisão amplia a importância das próximas semanas para o
futuro da Fifa. Além da disputa sobre quem comandará a entidade a partir de
2027, as discussões passaram a envolver a própria estrutura de poder
responsável por administrar o futebol mundial.