METROPOLES -11/01/2026 16:34
Novo balanço divulgado neste domingo (11/1) pela ONG Human
Rights Activists News Agency (HRANA) aponta para 538 pessoas mortas em meio às
manifestações no Irã. É a maior onda de protestos já registrada no país em
quase uma década.
Das 538 vítimas, 490 são manifestantes, e 48, policiais. O
número de presos passa de 10 mil. Segundo a ONG, especializada na
monitoração de violações de direitos humanos no país, as mortes foram
confirmadas a partir de fontes locais e da checagem cruzada com veículos
independentes.
Especialistas indicam que o número real de mortos pode
ser ainda maior, uma vez que, de acordo com a ONG de cibersegurança
Netblocks, ainda vigora o apagão quase total da internet imposto pelo
regime teocrático. Assim, a verificação das informações é dificultada.
As novas mortes ocorrem em meio a denúncias de violência
policial contra manifestantes. Neste domingo, o chefe da polícia iraniana,
Ahmad-Reza Radan, afirmou que o “nível de confronto contra os manifestantes se
intensificou”.
Entenda a crise no país
As manifestações começaram em 28 de dezembro, motivadas por
uma grave crise econômica enfrentada. Entre os principais fatores
estão a desvalorização do rial (moeda oficial iraniana), a inflação elevada e
a deterioração das condições de vida da população.
Inicialmente, os atos tinham foco econômico, mas, com o
avanço dos protestos, passaram a incorporar críticas diretas ao regime dos aiatolás e ao líder
supremo, Ali Khamenei. Manifestantes agora exigem reformas políticas,
mudanças no sistema judiciário e maior liberdade civil.
As autoridades iranianas acusam Estados Unidos e Israel de
estimularem os protestos, enquanto opositores afirmam que o movimento é
resultado direto do descontentamento popular com a condução política e
econômica do país.
Presidente ameaça retaliar
O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher
Ghalibaf, declarou em sessão que o Irã responderá fortemente a
qualquer intervenção norte-americana no país. “Se os Estados Unidos
lançarem um ataque militar, tanto os territórios ocupados quanto as bases
militares e portuárias americanas serão alvos legítimos para nós”, afirmou.
Em vídeo publicado por veículos locais, Ghalibaf alerta
sobre a retaliação a Israel e bases militares dos Estados Unidos.
A reação ocorre após o presidente Donald Trump dizer, neste sábado
(10/1), que os Estados
Unidos estão “prontos para ajudar”, enquanto os manifestantes no Irã
enfrentam um cerco cada vez mais intenso das autoridades iranianas.