cnn -10/12/2025 09:27
Autoridades japonesas emitiram um aviso raro sobre a
possibilidade de um megaterremoto, de magnitude igual ou superior a 8, após o
tremor de 7,5 que atingiu a costa de Aomori. A informação, divulgada
inicialmente pela BBC News Brasil, é confirmada por fontes oficiais e por
grandes agências internacionais, como Associated Press e Reuters.
É importante considerar que a diferença entre eles não é de
“apenas meio ponto”. Como a escala de medição é logarítmica, um terremoto de
magnitude 8,0 libera cerca de 5,6 vezes mais energia do que um terremoto de
7,5. Portanto, seria um evento muito mais destrutivo.
O alerta, que não configura uma previsão determinista,
baseia-se em estatísticas históricas avaliadas pela Agência Meteorológica do
Japão (JMA) e indica um aumento discreto, porém relevante, na probabilidade de
um grande abalo sísmico ao longo da Fossa do Japão e da Fossa de Chishima nos
próximos dias.
Segundo a Associated Press, a chance de ocorrência de um
terremoto dessa magnitude subiu de níveis residuais — em torno de 0,1% — para
aproximadamente 1%, cobrindo 182 municípios de Hokkaido a Chiba. A elevação do
risco é considerada suficiente para justificar medidas de prevenção, ainda que
o cenário mais crítico seja improvável.
O alerta atual se soma a estimativas já divulgadas
anteriormente pelo governo japonês, que apontam probabilidade entre 60% e 90%
de um megaterremoto ocorrer na Fossa de Nankai nos próximos 30 anos — risco
amplamente documentado por estudos governamentais e acadêmicos.
A dificuldade de prever terremotos
A imprevisibilidade dos terremotos decorre do fato de que
não existe, até hoje, nenhum indicador físico mensurável que permita antecipar
com precisão e boa antecedência quando, onde e com qual magnitude ocorrerá um
novo tremor.
Mesmo regiões altamente monitoradas registram centenas de
pequenos tremores por ano, mas apenas uma reduzida fração evolui para eventos
significativos. Não há padrão confiável que permita dizer quando um pequeno
tremor poderá evoluir para algo mais relevante com muita antecedência (dias ou
horas).
Há uma boa notícia, entretanto. O avanço mais promissor não
está na previsão antecipada, mas nos sistemas de alerta precoce, capazes de
detectar o terremoto após o início da ruptura, porém antes que as ondas mais
destrutivas cheguem às pessoas.
Um sistema denominado ShakeAlert está em uso na costa oeste
dos EUA e avisa sobre a ocorrência de tremores mais significativos com até 30
segundos de antecedência. Isso pode parecer pouco, mas ao receber um alerta
desse tipo em seus telefones celulares, as pessoas podem sair de edificações ou
buscar abrigo em áreas mais protegidas em edifícios. Também permite que trens
reduzam a velocidade e elevadores parem nos andares adequados.
Isso é possível a partir de uma rede de sismógrafos que
detectam os movimentos do solo. Com a análise dessas vibrações, é possível
inferir a ocorrência de tremores mais intensos. Um sistema equivalente está em
uso no Chile, país onde a ocorrência de tremores de diversas intensidades é
quase diária.
O Google está implantando um sistema similar de detecção com
a utilização de telefones celulares com sistema Android e seus detectores de
movimento. O sistema transforma milhões de celulares em uma rede capaz de
identificar os primeiros sinais de um terremoto.
Os acelerômetros dos aparelhos registram vibrações típicas
das ondas iniciais do tremor e enviam esses dados imediatamente aos servidores
do sistema. Quando muitos telefones detectam o mesmo padrão ao mesmo tempo, o
Android confirma o evento, estima o epicentro e dispara alerta segundos antes das
ondas mais fortes chegarem.
Essa janela curta pode ser suficiente para que pessoas
busquem abrigo e serviços essenciais sejam interrompidos com segurança.